ANEAM - Associação Nacional dos Engenheiros Ambientais

15-05-2014

RECICLAR, INCLUIR E MULTIPLICAR POR ENGº AMBIENTAL ANDRÉ FRAGA

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A destinação adequada dos resíduos sólidos é um dos principais desafios da atualidade, em especial para as grandes cidades brasileiras.

Associado ao custo para coletar e destinar os resíduos de cada morador, há um passivo educacional de enormes proporções, que faz ainda mais desafiadora a missão dos governos em lidar com essa agenda.

Antes de tudo, é essencial superar o conceito de lixo, que passou a ser uma categoria histórica e quer dizer resíduo descartado após o consumo, considerado matéria sem valor ou utilidade para novos usos. Na atualidade, porém, o avanço tecnológico faz com que esses resíduos sejam matéria-prima para a indústria, gerando valor comercial, emprego, renda e uma nova economia que gira e cresce ano após ano.

Outro ponto é entendermos que a sociedade gerou o catador de rua, mas a rua é o pior espaço para essas pessoas. Trabalhar carregando peso debaixo de sol e chuva, disputando espaço com carros, motos e ônibus e inalar o gás carbônico não condiz com uma sociedade moderna. Não adianta melhorar instrumentos de trabalho; é preciso cooperativar e retirar as pessoas desse trabalho indigno, sem garantias legais ou trabalhistas.

Não faz sentido aperfeiçoar as condições de trabalho e mantê-los na pobreza. É preciso investir na nova imagem de um trabalhador protegido e especializado, dono do seu próprio negócio – a reciclagem, de forma associativa. Com o advento da Política Nacional de Resíduos Sólidos, governos, empresas e o cidadão passam a compartilhar a responsabilidade da destinação adequada dos resíduos.

Em Salvador, a prefeitura está desenvolvendo o planejamento integrado e participativo envolvendo cooperativas, empresas, órgãos públicos de todas as esferas e sociedade civil para a implementação de uma política consistente de coleta seletiva para a cidade.

Se considerarmos os números da nossa capital, temos uma média mensal de quase 74,7 mil toneladas de resíduos coletados.  A partir de um estudo gravimétrico desenvolvido pela Limpurb, sabemos que em Salvador 46,37% do que se coleta é potencialmente reciclável, o que nos dá 34,6 mil toneladas mensais ou 1,38 mil tonelada por dia. Se alcançarmos 10% de reciclagem e um valor médio de mercado do kg de material por R$ 0,33, teremos um valor de comercialização gerado de R$ 2.46 milhões por mês, suficiente para garantir renda de mais de dois salários mínimos para mais de mil cooperativados.

Em Salvador, é raro um cooperativado alcançar renda de um salário mínimo. Há, ainda, a economia para a gestão, que deixará de ter custo com a destinação desse material, assim como para o meio ambiente, pois aumenta a vida útil do aterro e reduz as emissões dos gases de efeito estufa. Enfim, reciclar é incluir e multiplicar.

Artigo escrito pelo Engº Ambiental e Sub-Secretário na Secretaria Cidade Sustentável de Salvador Eng. André Fraga.

Fonte: Correio 24 horas

 

 

 

Última modificação em Terça, 27 Maio 2014 03:31

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