ANEAM - Associação Nacional dos Engenheiros Ambientais

26-06-2014

USINA TERMOELÉTRICA BIOGÁS EM SP TRANSFORMA LIXO EM ENERGIA

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Quando a usina é obrigada a interromper suas operações, devido à manutenção nas linhas de transmissão, por exemplo, o gás, que precisa ser extraído do maciço para que a estabilidade dele se mantenha, é queimado por flares. A usina Biogás possui três desses queimadores, cada um com a capacidade de queimar 5.000 Nm³/h de biogás a uma temperatura de 1.050ºC.

 

A energia produzida pela termelétrica é distribuída pela AES Eletropaulo. Mas não é apenas a comercialização dela que gera lucros para a usina. O volume de gases poluentes não emitidos para a atmosfera reverte-se em créditos de carbono. Metade fica com a prefeitura de São Paulo, que promove leilões para comercializá-los e aplica a receita na implementação de projetos que proporcionem benefícios ambientais no entorno do aterro. A outra metade fica com a São João Energia Ambiental. Para que o mecanismo fosse viabilizado, a empresa submeteu à Organização das Nações Unidas (ONU) o project design document (PDD), documento que descreve o projeto e, se aprovado, fundamenta a certificação do processo. A ONU registrou o projeto como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), em um processo de certificação que durou quatro meses. Para que os créditos de carbono sejam validados, a usina precisa comprovar os volumes de poluentes que deixaram de ser emitidos. "Tanto por meio da combustão nos motores quanto da queima em flares reduzimos o metano, que é um gás extremamente denso e poluente, para um gás menos poluente, o que gera uma possibilidade de crédito. Portanto, contabilizamos todo o metano que é utilizado", descreve Schwangart.

A contabilização é feita por meio de medidores de vazão, instalados em todo o percurso do projeto e calibrados de acordo com as normas internacionais. O cômputo é feito com o gás a uma temperatura de 25ºC e a medição da pressão é padronizada em Nm³/h. Todas as informações vão para um banco de dados. Uma planilha, por fim, calcula a quantidade de créditos gerados.

"Tanto por meio da combustão nos motores, quanto da queima em flares, reduzimos o metano, que é um gás extremamente denso e poluente, para um gás menos poluente, o que gera uma possibilidade de crédito [de carbono]"

De acordo com o gerente, a empresa não tem acesso à manipulação do banco de dados, podendo apenas gerar as informações. "Todo esse processo passa por auditoria, feita por uma empresa certificada pela ONU. Os auditores verificam todos os pontos cruciais: se os instrumentos estão plenamente calibrados e em pleno funcionamento e se os dados são coerentes. Por fim, a empresa faz a certificação e valida os créditos, que a partir daí podem ser negociados."

Três leilões de créditos de carbono já foram realizados pela Prefeitura de São Paulo, por intermédio da BM&FBovespa. O segundo leilão, ocorrido em setembro de 2008, resultou na arrecadação de R$ 13,4 milhões referentes ao biogás utilizado na usina Biogás no período de março de 2007 a março de 2008. O preço final da venda foi de 19,20 euros por título, que equivale a uma tonelada de crédito de carbono.

Fonte: Infraestrutura Urbana

 

 

 

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