ANEAM - Associação Nacional dos Engenheiros Ambientais

25-02-2015

ÁREAS DESMATADAS PERDEM 20 VEZES MAIS ÁGUA DO QUE AS FLORESTADAS, CONCLUI ESTUDO DE ENGENHEIRO AMBIENTAL

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Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos (SP) provaram que o desmatamento em áreas de cerrado altera o balanço hídrico da região, além de potencializar os efeitos da erosão. Segundo o estudo, nos lugares em que a mata é preservada, apenas 1% da água vai embora e, quando a vegetação é arrancada, o total sobre para 20%.

 

O grupo passou quatro anos tentando medir a quantidade de água que a vegetação conseguia segurar. Para isso, os cientistas utilizaram vários equipamentos em uma fazenda em Itirapina. A estação meteorológica, instalada acima da copa das árvores, contabilizou o total de chuvas. Pluviômetros registraram a quantidade de água que chegava ao chão e coletores captavam o volume que escorria pelos troncos.

 

“Com a chuva total, menos a somatória do escoamento pelo tronco das árvores e a que atinge o solo, a gente consegue medir a interceptação, ou seja, o que fica absorvido nas árvores. E esse total foi de aproximadamente 20%”, explicou o pesquisador em hidrologia Eng. Ambiental Paulo Tarso.

 

Nas regiões preservadas, o que escorre para o chão também não é perdido porque as folhas caídas também retêm água.  Para comprovar isso, a equipe instalou calhas em áreas de 100 metros quadrados. Quando chovia, a quantidade que o solo não absorvia escorria para essas calhas e seguia por um tubo até uma caixa d'água.

 

 

Com os cálculos, eles quantificaram de que forma a cobertura vegetal contribui para a absorção e, consequentemente, para a erosão e o abastecimento dos lenços freáticos. “O que acontece é que a água da chuva escoa muito rapidamente, vai para o rio, vai embora, e não fica retida para permitir o preenchimento desses reservatórios subterrâneos e, mesmo depois, a contribuição para os rios de uma forma mais lenta, espaçada no tempo, que permita a utilização dessa água para abastecimento público” disse Edson Wendland, pesquisador e professor em hidrogeologia do curso de Engenharia Ambiental da USP São Carlos.

 

Apesar de hoje o Estado de São Paulo ter apenas 10% das áreas originais de cerrado, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), os pesquisadores reforçam a importância do bioma. “É uma área que numericamente parece pequena, mas se a gente for ver a área do Estado de São Paulo, é uma área relativamente grande e tem capacidade para contribuir muito para a retenção de água”, afirmou Wendland.

 

O Eng. Agrônomo Eric Storani é responsável pela revitalização de cinco fazendas, onde foram plantadas 120 mil mudas nos últimos anos para aumentar a área de cerrado. “Em algumas nascentes que já estavam quase secando, a gente percebeu que essa água voltou, cresceu, quer dizer, estamos produzindo água. Quando o produtor preserva, cuida, ele contribui, ele tem água para ele e para todos. É uma lição que tem que ser colocada em prática o mais rápido possível”.

 

Confira a reportagem completa em vídeo no link a seguir:

 

http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/jornal-da-eptv/videos/t/edicoes/v/usp-sao-carlos-alerta-sobre-a-importancia-do-cerrado-no-combate-a-crise-hidrica/3953169/

 

 

Fonte: Portal G1

 

 

 

Última modificação em Quarta, 25 Fevereiro 2015 16:38

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