ANEAM - Associação Nacional dos Engenheiros Ambientais

19-06-2015

INICIATIVA DE ENGENHEIRO AMBIENTAL DÁ DESTINAÇÃO SUSTENTÁVEL PARA RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL

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Os resíduos oriundos das atividades da construção civil podem se tornar um problema caso não lhes seja dado o correto gerenciamento. Mais ainda, sua gestão inadequada representa um grande desperdício econômico.

Embora as técnicas de reciclagem dos resíduos minerais de construção e demolição tenham evoluído e a legislação ambiental apoie a reutilização deste material, não se pode afirmar com absoluta convicção que a reciclagem e reutilização tenham se tornado uma ideia amplamente difundida. 

 

Quando são somadas reformas pequenas de casas e construções de grande porte, o brasileiro produz, em média, meia tonelada de resíduos de construção civil ao ano. De acordo com a Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos de Construção Civil e Demolição (Abrecon), o Brasil joga fora oito bilhões de reais ao ano porque não recicla seus produtos. Para termos ideia, os números indicam que 60% do lixo sólido das cidades vêm da construção civil e 70% desse total poderia ser reutilizado.

 

No país, muitos municípios ainda não possuem o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, e grande parte dos que possuem, não tiraram suas ações do papel.

 

São classificados como Resíduos de Construção e Demolição (RCD) ou Resíduos da Construção Civil (RCC) “os gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis”, segundo a redação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS - Lei nº 12.305/2010).

 

A Resolução CONAMA 307/2002 já classificava esses resíduos em quatro classes (A, B, C e D), de acordo com as possibilidades de reciclagem. Os resíduos classificados como Classe A compreendem: os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como os oriundos de: pavimentação e de outras obras de infraestrutura; edificações, componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placa de revestimentos, etc.), argamassas e concreto; processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (bloco, tubos, meios-fios, etc.) produzidas nos canteiros de obras.

 

Os agregados reciclados podem ser utilizados para vários fins, de acordo com sua característica, principalmente sua dimensão granulométrica. O material mais fino (com dimensão máxima característica de 6,3 mm) pode ser utilizado para fabricação de argamassas e artefatos de concreto. Já o material com granulometria maior pode ser utilizado em obras de pavimentação, drenagens e terraplanagem, obras de base e sub-base de pavimentos, reforço e subleito de pavimentos, além de regularização de vias não pavimentadas, aterros e acerto topográfico de terrenos.

 

A forma mais simples de reciclagem do entulho é a sua utilização em pavimentação (base, sub-base ou revestimento primário) na forma de bica corrida ou ainda em misturas do agregado reciclado com solo. É a forma de reciclagem que exige menor utilização de tecnologia, o que implica menor custo do processo e permite a utilização de todos os componentes minerais do entulho (tijolos, argamassas, materiais cerâmicos, areia, pedras, etc.), sem a necessidade de separação de nenhum deles.

 

 

Exemplo de aplicação do resíduo da construção civil

 

Em Ribeirão Preto/SP, a iniciativa do Engenheiro Ambiental Renan Tibaldi é um bom exemplo de que é possível e vantajosa a utilização do material reciclado proveniente da construção civil.

 

O Engenheiro Renan fez a aplicação de material reciclado como sub-base da garagem de um prédio comercial. Para este trabalho ele utilizou o “bica corrida” (material proveniente da reciclagem de resíduos da construção civil, livre de impurezas, com dimensão máxima característica de 63 mm ou a critério do cliente), que é recomendado justamente para este tipo de aplicação e atende os parâmetros da norma ABNT NBR 15116:2004 (Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil - Utilização em pavimentação e preparo de concreto sem função estrutural - Requisitos).

 

“Há um preconceito inicial quando se propõe ao cliente a utilização do material reciclado devido à falta de informação. Para vários usos, o material reciclado chega a ter melhor desempenho do que o material novo, e os custos podem cair pela metade”, afirma o Engenheiro.

 

De acordo com ele, o material reciclado é rico em agregados como areia, pedra e cimento, e tem maior facilidade de compactação do que a brita geralmente utilizada. 

 

Procedimento de aplicação do RCC em obra de prédio comercial.

 

O empresário e Advogado Gustavo Defina, proprietário do empreendimento, disse que já possuía conhecimento sobre as vantagens de utilizar o material reciclado, mas que somente agora teve a oportunidade de aplicar. O empresário afirma também que os resultados foram além do esperado, tanto nos custos quanto na aplicação: “É interessante observar o olhar de desconfiança dos empregados da obra quando chega o caminhão com material que eles estão acostumados a retirar da obra. Após começar a aplicação do material e o resultado que se obtém, todos elogiam e dizem que preferem trabalhar com o reciclado em vez da brita comum.”

 

Para a utilização do material reciclado de resíduos, é importante a realização de uma boa triagem e limpeza do mesmo, retirando as impurezas, ferros, plásticos entre outros tipos de resíduos que não se enquadram como classe A. Umas das dificuldades para aumento da utilização do material reciclado são a pureza e o atendimento dos padrões granulométricos para as variadas utilizações.

 

O material utilizado neste trabalho é proveniente de Aterro da Construção Civil devidamente licenciado pelo órgão ambiental, pertencente ao Sr. Itamar Lavesso. “Manter um padrão de qualidade do material é essencial para a destinação final ambientalmente correta afinal, o aterro tem a função de reservação de material para seu futuro uso”, afirma o proprietário do aterro, que executa triagem por meio de máquinas em conjunto com a triagem manual feita por funcionários treinados.

 

De acordo com o Engenheiro Renan, outros projetos em parceria com o proprietário do aterro, Itamar Lavesso e o empresário Gustavo Defina, para a utilização de material reciclado já estão em andamentos, como a utilização do material em calçadas e estradas rurais. A intenção é difundir o uso e as vantagens de utilizar o material reciclado na região e principalmente no município de Ribeirão Preto, que possui um histórico não positivo em relação ao gerenciamento do resíduo.

 

 

Engenheiro Ambiental Renan Tibaldi

 

Ribeirão Preto possui uma geração de RCC “estimada” de 1.500 ton./ dia sendo que 30% deste total tem destino incerto e muito provavelmente são despejados de forma irregular e clandestinamente, em diferentes locais.

 

Este cenário muito se deve a falta de educação e informação da população para a problemática, a incapacidade do poder público local em fiscalizar e a dificuldade dos órgãos ambientais em ofertar estruturas que recebam resíduos desta natureza. Certamente o entulho hoje merece atenção dos órgãos fiscalizadores, principalmente os municipais. 

 

“Reciclar e reutilizar o RCC não pode ser visto como a reinvenção da roda, mas sim como uma ação do dia a dia, necessária para uma vida sustentável”, finaliza o Engenheiro Renan.

 

 

*Renan Tibaldi é Engenheiro Ambiental, sócio diretor da SOS Gestão Ambiental, atua com licenciamento ambiental e gestão de resíduos na região de Ribeirão Preto desde 2011.

 

 

COMUNICAÇÃO ANEAM

 

 

Última modificação em Sexta, 19 Junho 2015 17:57

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