ANEAM - Associação Nacional dos Engenheiros Ambientais

07-03-2016

TRAGÉDIA EM MARIANA SEGUNDO A MUNDO GEO‏

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Entenda como as Geotecnologias poderiam ter evitado – ou ao menos minimizado – o maior desastre ambiental do Brasil até hoje.

De todas as forças do universo, a gravidade é aquela que se estuda há mais tempo e, paradoxalmente, a menos conhecida. De Galileu até Einstein, vários cientistas descobriram seu comportamento, mas ainda não se conhece exatamente qual a origem das tão faladas “ondas gravitacionais”. Porém, quando a força da gravidade é aliada a elementos tóxicos e à irresponsabilidade quanto aos potenciais riscos envolvidos, muitas vidas passam a correr riscos.

No dia 5 de novembro de 2015, exatamente às 4h20 da tarde, aconteceu o maior desastre ambiental já registrado em solo brasileiro, quando a Barragem de Fundão se rompeu no município de Mariana, em Minas Gerais. Ao longo de vários dias, a lama com rejeitos de minério viajou pelos rios da região até chegar ao mar, em Linhares, estado do Espírito Santo, afetando diretamente e indiretamente milhares de pessoas e manchando para sempre a imagem das empresas envolvidas na catástrofe.

Apesar de muitos desejarem incluir este acontecimento no rol dos “desastres naturais”, não podemos nos conformar que algo dessa dimensão seja tratado como “natural”. Afinal, a movimentação atípica da estrutura poderia muito bem ter sido identificada a tempo e, assim, tomadas as devidas medidas para evitar o desastre. E, após o rompimento da barragem, ações de alerta rápido e resposta mais àgil à emergência teriam evitado a perda de muitas vítimas. Em casos como este, as Geotecnologias estão aí para isso: salvar vidas!

As Geotecnologias estão presentes em todas as fases de uma grande obra, como a barragem de Fundão. Desde o mapeamento de uma região com potencial para implantação de uma barragem, passando pelo estudo de impacto ambiental, desenvolvimento do projeto, locação da obra, implementação da barragem e posterior monitoramento, estão presentes dados geográficos, tecnologias geoespaciais e profisisonais especialistas em mapeamento. Mas por que, então, desastres como este de Mariana ainda acontecem???

A importância de sistematizar a questão ambiental…

A questão ambiental vem ganhando cada vez mais força na administração das empresas. A partir da década de 1990, as empresas passaram a ser vistas não apenas como corporações para a simples criação de bens e consumo, mas também como instituições geopolíticas, com claras responsabilidades socioambientais.

Nesse sentido, surge em meio a um mercado com tendências ecológicas, mecanismos e exigências para a normatização e regulamentação das práticas empresariais. Em meio a esse processo, nasceram os Sistemas de Gestão Ambiental, que abrangem a implementação de programas voltados para o desenvolvimento de tecnologias, a revisão de processos produtivos, o estudo de ciclo de vida dos produtos e o desenvolvimento de “produtos verdes”, entre outros, que buscam cumprir imposições legais, aproveitar oportunidades de negócios e investir na imagem institucional.

Podemos conceituar um Sistema de Gestão Ambiental como sendo um mecanismo que provê o ordenamento e consistência para organizações empresariais de acordo com as preocupações ambientais. Por meio da definição de responsabilidades e avaliação contínua das práticas empresariais, busca-se desenvolver e implementar a política ambiental estabelecida por normas ambientais adotadas e aceitas internacionalmente, como as normas da Organização Internacional para Padronização (ISO).

A implementação de um Sistema de Gestão Ambiental agrega ferramentas que propiciam à empresa identificar estratégias de redução de seus impactos na natureza, orientando de forma otimizada os investimentos para a implementação de uma política ambiental eficaz, capaz de gerar receita e oportunidades de trabalho. Ou seja, ao implantar uma barragem, por exemplo, a empresa tem que garantir que o empreendimento seja sustentável.

O Sistema de Gestão Ambiental traz inúmeras vantagens à empresa, tais como a minimização de custos e de riscos, melhoria da organização e criação de um diferencial para a imagem da empresa, conformidade ambiental e também a identificação de seus passivos ambientais. A partir desses procedimentos, a empresa adquire uma segurança legal perante a legislação ambiental e a minimização de acidentes e riscos ambientais.

Mas será que somente a implementação desses sistemas é suficiente?

 

Mais em MUNDO GEO.

Por Alexandre Scussel, Ana Flávia de Oliveira, Carla Caroline Correia e Eduardo Freitas.

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