ANEAM - Associação Nacional dos Engenheiros Ambientais

20-05-2016

ENGENHEIRO AMBIENTAL DA ACEAMB PUBLICA ARTIGO SOBRE OS EFEITOS DA URBANIZAÇÃO SOBRE A INFILTRAÇÃO E O ESCOAMENTO SUPERFICIAL EM GOIÂNIA

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Confira o artigo do Engenheiro Ambiental Albert Teixeira Cardoso sobre os efeitos da urbanização sobre a infiltração e o escoamento superficial na cidade de Goiânia.

O Eng. Albert já fez parte da Diretoria da ACEAMB na Gestão de 2010 e hoje é servidor público do Serviço Geológico do Brasil - CPRM (Oficial).

 

Nos últimos anos, o setor imobiliário tem influenciado sobremaneira na mudança da paisagem na cidade de Goiânia.

A construção de edifícios residenciais e comerciais tem resultado em um aumento significativo da parcela urbana que, aos poucos, vai ocupando as áreas verdes da cidade. Essa ocupação também é responsável pela supressão das áreas marginais aos corpos d’água, que hoje estão ocupadas e impermeabilizadas.

 

A vegetação e o uso e ocupação do solo em uma bacia hidrográfica são características fundamentais para a formação das vazões máximas ou mínimas, uma vez que definem com que proporção a precipitação transforma-se em escoamento superficial e infiltração. Os processos de desmatamento e urbanização implicam na diminuição do volume de água infiltrada no solo, resultando na maior possibilidade de inundações em função do aumento do escoamento superficial.

 

Foram realizados estudos que levaram à simulação de dois cenários para o cálculo das variáveis de escoamento superficial e infiltração, utilizando o método do balanço hídrico: Cenário 1 - cálculo da infiltração (ou recarga) e escoamento superficial para o atual cenário de urbanização de Goiânia, Cenário 2 - cálculo da infiltração e escoamento superficial para a simulação de 40% de aumento da urbanização do município de Goiânia.

 

No Cenário 1, as parcelas médias anuais de infiltração e escoamento superficial representam, pela ordem, 135.774.158 m³ e 796.693.396 m³. No Cenário 2, as médias anuais de infiltração e escoamento superficial são de 74.284.966 m³ e 923.829.110 m³, respectivamente. Os volumes médios mensais são apresentados na Figura 1.

Figura 1 – Resultados do cálculo dos valores médios mensais do escoamento superficial e infiltração para os Cenários 1 e 2.Figura 1 – Resultados do cálculo dos valores médios mensais do escoamento superficial e infiltração para os Cenários 1 e 2.

 

No Cenário 2, o escoamento superficial é 12,44 vezes superior em relação à infiltração, e o volume de infiltração pode ser reduzido em aproximadamente 61.489.192 m³. Ou seja, foi estimado um aumento de 15,96% no volume de escoamento superficial, enquanto o volume de infiltração diminuiu em 45,29%. Esse volume de água que deixa de infiltrar no solo (considerando o Cenário 2) pode alterar o regime hidrológico dos corpos hídricos locais, possibilitando a diminuição das vazões médias anuais nos cursos de água, uma vez que suas respectivas áreas de recarga estarão impermeabilizadas.

 

O aumento da impermeabilização também pode diminuir o tempo de resposta da bacia a um evento de chuva, concentrando as vazões mais rapidamente em seu exutório (diminuição do tempo de concentração) e contribuindo para a formação de cheias urbanas. 

 

Os eventos de cheias podem ocasionar diversos danos à infraestrutura urbana, tais como a paralização nos sistemas de transporte, energia e abastecimento de água, além de provocar o comprometimento das edificações. 

 

Nesse sentido, recomenda-se que o avanço da urbanização na região metropolitana de Goiânia seja realizado em conjunto com a preservação das áreas de recarga dos corpos hídricos, de forma a permitir a infiltração da água da chuva na bacia hidrográfica, sem causar alterações significativas nas parcelas de infiltração e escoamento superficial.

 

 Confira a Análise quantitativa dos efeitos da urbanização sobre a infiltração e o escoamento superficial na cidade de Goiânia - GO.

 

 

Alexandre Coelho é pesquisador em Geociências, Serviço Geológico do Brasil – CPRM, O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

Albert Cardoso é pesquisador em Geociências, Serviço Geológico do Brasil – CPRM, O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

Davi Souza é pesquisador em Geociências, Serviço Geológico do Brasil – CPRM, O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

Luiz Magalhães é pesquisador em Geociências, Serviço Geológico do Brasil – CPRM, O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

 

Fonte: FNE

Última modificação em Sexta, 20 Maio 2016 03:55

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