ANEAM - Associação Nacional dos Engenheiros Ambientais

30-10-2012

“A Engenharia Ambiental é a semente que está sendo plantada para um mundo melhor”

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A graduanda do último período em Engenharia Ambiental da Universidade Católica de Pernambuco - UNICAP, Vanessa Natália de Lima

, 22 anos, também é bolsista de iniciação científica e já ganhou vários prêmios pelas suas pesquisas na área de meio ambiente.

Atualmente, participa de um projeto na UNICAP intitulado “Tecnologias alternativas para a valorização e sustentabilidade do Rio Capibaribe, Município de Recife, Estado de Pernambuco, Brasil.”, o qual utiliza conhecimentos técnicos da engenharia ambiental e de outras áreas como uma forma de garantir a sustentabilidade de uma comunidade carente que vive às margens do mais importante rio da cidade, o Rio Capibaribe. Além disso, estagia em uma Empresa de Consultoria Ambiental realizando pesquisas em laboratório, levantamento de dados e medições em campo sobre poluição do solo, da água e do ar e acompanhamento nas atividades de elaboração de laudos ambientais.

A estudante iniciou sua carreira científica ainda no ensino médio, desenvolvendo atividades de iniciação científica modalidade júnior na área de meio ambiente, juntamente com estudantes de Engenharia Ambiental e mestrandos em Desenvolvimento de Processos Ambientais, experiência que a motivou na escolha do curso. A partir do segundo período da faculdade, voltou à realizar pesquisas e permanece na área até hoje.

Segue abaixo a entrevista concedida com exclusividade à Associação Nacional dos Engenheiros Ambientais – ANEAM.

Trabalho no laboratório de química analítica da UNICAP, no desenvolvimento das atividades da bolsa de IC.

ANEAM - De acordo com a sua experiência, quais os principais obstáculos enfrentados na carreira científica?

Vanessa - A falta de literatura disponível, dependendo da área que se está pesquisando, porque muitas vezes quando se estuda um processo novo não há muitos parâmetros para comparação, o que dificulta as conclusões da pesquisa. E, também, a dificuldade que existe de se colocar em prática o que se pesquisa, pois, muitas vezes, os atores públicos ou privados não tem interesse em investir na pesquisa e ela acaba ficando engavetada, o que gera um pouco de frustração para o pesquisador. Contudo, tudo isto não me leva a desanimar da escolha pela carreira acadêmica e de pesquisa.

ANEAM - Depois de formada, você tem intenção de permanecer nesta área? Se não, que outra área deseja seguir?

Vanessa - Pretendo seguir carreira acadêmica porque penso que a pesquisa é a minha área de maior interesse na Engenharia Ambiental: descobrir e formular novas hipóteses e ideias que motiva bastante. Vou tentar a seleção para um mestrado na área e continuarei a pesquisar, se assim for possível.

ANEAM - Quais as contribuições do Programa de Iniciação Científica para a sua carreira profissional como Engenheira Ambiental?

Vanessa - Acho que a pessoa que participa de PIBIC desenvolve melhor sua capacidade crítica, além de desenvolver habilidades que ajudam a pesquisar melhor (seja em livros, revistas, internet) e encontrar soluções para problemas, a escrever melhor e de forma mais organizada as ideias em um trabalho acadêmico, em um relatório, e a se expressar melhor e ter desenvoltura no trato com as pessoas, porque garante que o estudante se mantenha em contato com diversos profissionais onde ele desenvolve as atividades, seja em um laboratório de pesquisa ou mesmo em um grupo de estudo, além de ser uma boa maneira de se visualizar diferentes realidades, como por exemplo, quando precisamos visitar uma comunidade carente ou no interior do seu estado, ou viajar para algum centro de pesquisa, ou para um congresso apresentando trabalho e tendo contato com outros pesquisadores.

ANEAM - Faça um breve resumo sobre o Projeto pelo qual recebeu premiação na 14ª Jornada de Iniciação Científica da Unicap.

Vanessa - Essa foi a 4ª vez que fui premiada em uma jornada de iniciação científica da UNICAP. Fui premiada em 2009 com o 1º Lugar na Área de Ciências Agrárias na 11ª edição da jornada, com um trabalho sobre o uso de lodo de esgoto como adubo na produção de pimentão e cenoura; em 2010 com o 3º Lugar na Área da Engenharia na 12ª edição da jornada; em 2011 com o 1º Lugar na Área da Engenharia na 13ª edição da Jornada e agora em 2012, com o 3º Lugar na Área da Engenharia, esses três últimos prêmios foram todos relativos ao trabalho que está sendo desenvolvido na UNICAP no projeto “Avaliação do consorcio fibra-de-coco e resíduos para a produção de carvão ativado.”, sob a coordenação e orientação da professora doutora Arminda Saconi Messias, onde estamos utilizando cascas de diversas frutas da região associadas a fibras de coco seco (casca do coco seco) como matéria-prima alternativa (inovação tecnológica) para produção de carvão ativado (que é um material adsorvente amplamente utilizado na indústria química e têxtil, e para o tratamento de efluentes com baixa concentração de contaminantes e de gases em chaminés de fábricas. O uso destes resíduos minimiza a quantidade de resíduos que é lançada no ambiente, já que os mesmos se amontoam, em grandes quantidades, nas fabricas ou ocupam espaço nos aterros e lixões, e são grande fonte de matéria orgânica na forma de carbono na sua estrutura que é ideal para produção de carvão ativado. Estas pesquisas renderam, além da premiação na jornada da UNICAP, uma dissertação de mestrado da, agora mestre em Desenvolvimento de Processos Ambientais, Lúcia Paula Prado de Macêdo, na UNICAP, além do estudo ser utilizado por mim no trabalho de conclusão de curso, que será defendido no final de novembro ou inicio de dezembro na UNICAP. Vale resaltar que além dessa pesquisa ter sido premiada internamente na UNICAP, em sua jornada própria, o trabalho também foi surpreendentemente premiado com o 1º Lugar na categoria de apresentação de pôster no 1º Congresso de Iniciação Científica e VIII Jornada de Iniciação Científica da Fundação Joaquim Nabuco – Fundaj, no Recife, que ocorreu na sede da instituição entre os dias 25 e 27 de setembro de 2012. Na ocasião, cerca de 33 trabalhos estavam sendo expostos em forma de pôster, sendo estes de alunos de iniciação científica dos  mais variados cursos e das mais variadas instituições do país, além de estarem presentes dois pôsteres de alunos de uma universidade da Espanha. Foi um momento bastante especial e me surpreendeu bastante o prêmio, mas me deu um fôlego novo e foi uma mostra de que a pesquisa, quando bem realizada, gera frutos.

ANEAM - Que áreas você considera mais promissoras para o ingresso do Engenheiro Ambiental?

Vanessa - Hoje se utiliza muito o apelo ao meio ambiente nas mais diversas formas, e está sendo construída, a passos curtos, uma cultura de preservação e conscientização da população sobre a necessidade de se manter os recursos naturais para as gerações futuras, que é a ideia da sustentabilidade, nos mais variados lugares, seja na construção civil ou na indústria. Considerando a Engenharia Ambiental como um processo interdisciplinar e bastante extenso, há, por assim dizer, uma grande variedade de áreas que o Engenheiro Ambiental pode atuar. Órgãos públicos estão abrindo concurso para a área, como as secretarias estaduais e municipais de meio ambiente, o IBAMA e outros, para que o engenheiro atue como um especialista, que vai fiscalizar obras e empresas. As indústrias estão sendo mais cobradas para que exista a presença deste profissional que vai desempenhar atividades na área de controle da poluição (projeto de controle e de tratamento de efluente, de gases e dos resíduos) e auxiliar na implantação de atividades que garantam que a empresa adquira certificações como a ISO 14.000. Muitas empresas de consultoria em meio ambiente estão contratando Engenheiros Ambientais para trabalharem como consultores e projetistas nos mais diversos temas. Existe ainda, a área empreendedora onde o Engenheiro Ambiental pode criar seu próprio grupo de trabalho e montar sua própria empresa de prestação de serviços relacionados ao ambiente, como empresas de coleta de resíduos, empresas de projeto de obras (como construção e operação de estações de tratamento de esgoto e água), e de projetos de recuperação de áreas degradadas, entre outras. E a área acadêmica e de pesquisa, em que o Engenheiro Ambiental pode continuar estudando e se aperfeiçoando (com especializações, curso de mestrado, doutorado e pós-doutorado) e atuar nas universidades e nos renomados centros de investigação e pesquisa.

ANEAM - A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais Engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que esta faltando para que esse fato seja concretizado?

Vanessa - Acho que falta um pouco de organização dos engenheiros ambientais, que são um tanto quanto dispersos, e que as empresas e órgãos públicos comecem a aproveitar mais e melhor o profissional da Engenharia Ambiental, através dos editais, não delegando para outros profissionais as atribuições que só o Engenheiro Ambiental é apto a realizar. Falta, também, um pouco mais de divulgação sobre o curso e a profissão, e a importância dela para o país, além de representatividade em Conselho de Classe.

ANEAM - Hoje você está sendo reconhecida pelo trabalho, esforço e dedicação em prol da profissão de Engenheiro Ambiental. Qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambientais?

Vanessa - Quando chego em muitos lugares, as pessoas me perguntam o que estou estudando. Digo que faço Engenharia Ambiental, e elas não sabem ou não conseguem ainda entender o que é, ou não sabem que existe. Isto tudo poderia me fazer desanimar, mas não surte este efeito. Por que eu acredito na profissão e no discurso de “profissão do futuro”, “profissão do amanhã”, “engenharia do futuro”. Acredito que fiz a escolha certa do curso de graduação, e hoje não mudaria. Acredito que se o estudante de graduação de engenharia ambiental, ou aquele que está pensando em fazer o curso, tiver aptidão para o estudo e força de vontade em seguir batalhando será um grande profissional na área. A Engenharia Ambiental requer um pouco de doação e de esforço, mas traz grandes benefícios para a vida, e se você colocar na cabeça que o que você faz é importante você vai fazer a diferença. Não desistam, por que a Engenharia Ambiental é a semente que está sendo plantada para um mundo melhor e ela ainda vai mudar o planeta.

ANEAM - A ANEAM, por meio desta entrevista, vem cumprindo o seu papel de reconhecimento e valorização dos Engenheiros Ambientais do Brasil. Como você avalia esta ação?

Vanessa - Acho a ação bastante positiva e considero que, cada vez que se abre espaço para se falar sobre alguém da área, informando o que o profissional está desenvolvendo, faz com que os outros se sintam motivados, bem como faz com que o curso e a profissão sejam mais reconhecidos.

Diretoria de Comunicação - ANEAM

 

 

Última modificação em Sexta, 18 Outubro 2013 18:07

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