ANEAM - Associação Nacional dos Engenheiros Ambientais

04-03-2016

ESTUDANTES DE ENGENHARIA AMBIENTAL DE SÃO PAULO FALAM SOBRE PROJETO DE SISTEMA SOLAR FOTOVOLTAICO NA UNESP

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Duas alunas do curso de Engenharia Ambiental da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Unesp de Presidente Prudente apresentaram um Trabalho de Conclusão de Cuso (projeto de implantação) de um sistema de energia fotovoltaica para um prédio da Unidade.

Os resultados são relevantes em termos de investimento e de economia para a Unesp como um todo. "Com a atual crise energética e os altos preços da energia elétrica, este projeto é um piloto interessante que pode servir para toda a Unesp", afirma Silvio Rainho Teixeira, orientador do trabalho. "Agumas universidades brasileiras (UFRJ, Universidade de Pelotas) já estão implantando o sistema fotovoltaico a exemplo de várias universidades americanas e europeias".

 

O objetivo do trabalho, de Ariane Silva Finotti e Isabela Ferreira dos Santos Goto, foi dimensionar, avaliar custos de implantação, produção média de energia elétrica (na FCT, região de Prudente) e o pay back (custo de retorno, aproximadamente 6 anos). O título do trabalho é 'Dimensionamento de um sistema solar fotovoltaico interligado à rede para o Laboratório de Caracterização e Gestão de Resíduos Sólidos da FCT - Unesp - Câmpus de Presidente Prudente'.

 

O dimensionamento manual do sistema foi semelhante ao dimensionamento obtido utilizando o software Solergo. Apesar da não acessibilidade ao software devido ao custo de sua licença operacional, o embasamento teórico demonstrou que é possível realizar o dimensionamento de um sistema fotovoltaico de forma manual, obtendo-se resultados bem próximos e confiáveis em relação aos apresentados pelo programa.

 

Em relação ao projeto, a análise do tempo de retorno demonstrou que o sistema fotovoltaico dimensionado é viável economicamente. Apesar do alto investimento inicial para sua implantação, existe a garantia do retorno de capital em aproximadamente seis anos.

 

Quando comparado à vida útil dos componentes do sistema, o payback se torna ainda mais relevante, visto que os módulos conseguem ter uma vida útil, aproximada, de 25 anos e os inversores podem operar sem falhas por até 15 anos. Em tempo, para assegurar a vida útil e o alto desempenho dos módulos ressalta-se a necessidade de manutenção periódica dos mesmos, principalmente em períodos de pouca chuva, quando existe um maior acúmulo de poeiras sobre os painéis podendo causar redução da sua eficácia.

 

Em termos de produção de energia, o sistema fotovoltaico desenvolvido também se mostrou satisfatório gerando aproximadamente 73 MWh de energia ao ano. Tal produção poderá apresentar uma economia de energia à FCT-UNESP da ordem de R$ 22.000,00 anualmente.

 

Apesar do evidente aprimoramento da tecnologia empregada na produção dos módulos fotovoltaicos quando comparada há 20 anos, ainda existe um obstáculo que deve ser notado frente ao ciclo de vida destes equipamentos. Como por exemplo, é possível citar os módulos instalados na década de 1990 e que possuem uma vida útil que deverá expirar nos dias atuais e é notável que no Brasil pouco se discute sobre a reciclagem de seus materiais integrantes.

 

Em contrapartida, na Europa, desde 2014, existe uma normativa que responsabiliza os produtores de painéis fotovoltaicos pelo financiamento do recolhimento e reciclagem dos resíduos de produtos desta natureza. As células fotovoltaicas podem ser reprocessadas e reutilizadas, enquanto os demais materiais como o vidro, o alumínio que emoldura o módulo e os cabeamentos seguem o habitual circuito de reciclagem existente.

 

Além dos benefícios econômicos existentes, a utilização da energia solar fotovoltaica reduz a forte dependência do País por energia hidrelétrica. Essa redução impacta diretamente nas populações ribeirinhas que podem ser deslocadas de suas casas devido à inundação de suas 73 áreas de vivência, com a construção de hidrelétricas. Estes alagamentos, por sua vez, impactam no equilíbrio da fauna e da flora destes locais. Em relação à dependência das variações climáticas, a energia solar fotovoltaica não possui uma produção suscetível a tais mudanças, uma vez que o Sol é uma fonte inesgotável de energia. A produção de energia hidrelétrica, de modo inverso, é sujeita à regularidade do regime de chuvas.

 

Ainda se tratando das vantagens do sistema, o software Solergo demonstrou uma redução anual da emissão de poluentes na atmosfera. Comparando a produção do equivalente de energia de uma termoelétrica, o sistema fotovoltaico em questão reduzirá a emissão de aproximadamente 40 toneladas de dióxido de carbono, além de outros poluentes e poeiras.

 

Por fim, associando o desenvolvimento do sistema com o cotidiano da Engenharia Ambiental no Brasil, podemos observar as vantagens trazidas pela implantação de um sistema fotovoltaico. Busca-se, cada dia mais, a sustentabilidade das nações e organizações ao longo do mundo. A possibilidade de implantação do sistema dimensionado reafirma o compromisso do Engenheiro Ambiental em buscar soluções viáveis e de baixo custo, de modo que o meio ambiente sofra nenhum ou o menor impacto possível.

 

Fonte: Agência IN

 

 

 

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