ANEAM - Associação Nacional dos Engenheiros Ambientais

08-03-2012

Dia Internacional da Mulher – 08 de Março

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Parabéns às Engenheiras Ambientais pelo seu dia!

Elas dão um show de talento em todas as funções que exercem. São práticas, dinâmicas e, a cada dia, constroem suas histórias com muita garra, determinação e, principalmente, amor.  Com muita delicadeza, as mulheres sempre depositam algo especial em suas profissões. A cada dia elas se destacam com brilhantismo em diversas áreas que, antigamente, eram tipicamente masculinas.

E na Engenharia Ambiental não é diferente. Exemplo disso é a Engenheira Ambiental Uende Gomes, que ganhou recentemente o prêmio Jovem Cientista 2011, pelo trabalho “Intervenções de Saneamento Básico em Áreas de Vilas e Favelas: um estudo comparativo de duas experiências na região metropolitana de Belo Horizonte”. Para mostrar todas essas qualidades da mulher, a ANEAM entrevistou, com exclusividade, as Engenheiras Ambientais Tatyane RodriguesPriscilla Mattos.

Apesar de tudo, ainda há barreiras que elas enfrentam todos os dias, como a discriminação, com salários muitas vezes inferiores aos dos homens com mesmo nível intelectual. Esse é um dos grandes obstáculos que está sendo superado com a organização e capacidade de executar as tarefas demandadas pelo atual mercado de trabalho.

Cabe a todas as engenheiras e engenheiros debaterem suas diferentes realidades e complementarem no ambiente profissional, buscando a inserção e valorização da mulher no âmbito profissional.

É com grande privilégio que a ANEAM parabeniza a mulher Engenheira Ambiental pela sua capacidade de conciliar a sua profissão, sem abrir mão do seu lado feminino, com as tarefas domésticas, sejam elas solteiras, esposas, mães e avós.

 

 

1 – Bárbara Samson, 2- Ana Beatriz Cobalchini, 3 – Nathália Rodrigues, Jhéssika Ribeiro, Lillen Vater e Nathália Carvalho, 4- Aline Leão, 5- Karla Souza e 6 – Rebeca Tonello, Camila Vieira e Alessandra Bicalho.

ENTREVISTAS EXCLUSIVAS:

A Engenheira Ambiental Priscilla Mesquita Matos, solteira, 30 anos, graduada em dezembro de 2006, pela Universidade Católica de Brasília, e com especialização em MBA Perícia, Auditoria e Gestão Ambiental, é a atual Coordenadora de Meio Ambiente da obra Estádio Nacional de Brasília, contratada pela Construtora Andrade Gutierrez S.A. Em sua área de atuação é responsável por executar e acompanhar as ações de gestão ambiental, garantindo o cumprimento e adequação dos requisitos legais ambientais do Sistema de Gestão Integrado do Consórcio Brasília 2014, além dos processos de certificação LEED - Leadership in Energy and Environmental Design, fortemente recomendado pela FIFA.

ANEAM - A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais Engenharias, a que mais tem se destacado quanto à expressiva presença feminina. Por se um curso tradicionalmente masculino no passado, você acredita que ainda existe esse preconceito?

Priscilla: De fato os homens sempre predominaram em canteiro de obras. Mas a presença feminina trouxe um diferencial para esse ramo, pois um empreendimento construído com participação de mulheres tem mais qualidade e perfeição nos acabamentos. Em um canteiro de obra onde há presença de mulheres, ele é mais organizado, limpo e bonito, pois elas se atentam aos pequenos detalhes que fazem toda a diferença no conjunto final da obra.

ANEAM - A profissão de Engenheira Ambiental requer muitas vezes trabalho de campo, sendo necessário vistoriar grandes obras. Por ser mulher, você sente alguma dificuldade nessa tarefa?

Priscilla: Acredito que como qualquer profissional, você tem que conquistar seu espaço no ambiente de trabalho. E a maneira como faço isso é demonstrar conhecimento técnico, educação, carisma e, acima de tudo, respeito pelos profissionais envolvidos. E é claro, um sorriso feminino sempre ajuda.

ANEAM - Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho, se existiram?

Priscilla: Conseguir a credibilidade dos profissionais “mais antigos”. Em um ambiente que sempre foi dominado por homens e, de repente aparece uma mulher dizendo o que tem que ser feito não é tão simples assim para os seniores da construção civil pesada. Mas quando se adota uma postura de respeito, observação e carisma, mais o jeitinho feminino, o serviço é executado da maneira como solicitamos.

ANEAM - Na sua opinião, o que falta para as engenheiras ambientais hoje?

Priscilla:

  • Ter atitudes pró ativa;
  • Escutar a opinião e pedir conselhos aos mais antigos de carreira;
  • Ter humildade e respeito por todos os colaboradores no ambiente de trabalho;
  • Mostrar técnica e competência, saber conquistar seu espaço.

ANEAM - Hoje você está sendo homenageada pelo trabalho, esforço e dedicação em prol da profissão de Engenheira Ambiental. Qual recado você gostaria de deixar às futuras Engenheiras Ambientais?

Priscilla: Ame o que faça. Se escolher essa profissão, execute com amor!

ANEAM - A ANEAM é uma Associação nova, que tem como foco “Valorizar, fortalecer e integrar a classe dos profissionais de Engenharia Ambiental do Brasil, para a defesa da sociedade”. Como você avalia esta representação?

Priscilla: Uma classe que é unida atinge objetivos maiores. É assim que reconheço o trabalho da ANEAM, uma associação que visa integrar os profissionais de Engenharia Ambiental a conquistar seu espaço e valorização no mercado de trabalho.

Engenheira Ambiental MSc. Tatyane Souza Nunes Rodrigues, 28 anos, casada e grávida de cinco meses, graduada em março de 2006, pela Universidade Católica de Brasília, e com mestrado em Geotecnia Ambiental, pela Universidade Federal de Pernambuco, atualmente é Professora Universitária nos Cursos de Engenharia Ambiental, Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, Biomedicina e Curso Tecnológico de Gestão Ambiental, todos da Universidade Católica de Brasília.

Além disso, presta consultoria para elaboração de Estudos Ambientais com vistas ao processo de Licenciamento Ambiental. Durante a graduação foi voluntária em Projeto de Iniciação Científica na área de Saneamento Ambiental, Sistema Alternativo de Tratamento de Esgotos e Reuso de Água na Agricultura, recebendo prêmio de Menção Honrosa pela Universidade Norte do Paraná – UNOPAR (2004). Também, foi Coordenadora de Licenciamento Ambiental do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal – Instituto Brasília Ambiental – IBRAM (2009), além de vários outros trabalhos na área de gerenciamento de resíduos sólidos urbanos e de emissões de gases de efeito estufa.

ANEAM - A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais Engenharias, a que mais tem se destacado quanto à expressiva presença feminina. Por se um curso tradicionalmente masculino no passado, você acredita que ainda existe esse preconceito?

Tatyane: Não. Acredito que o rótulo de um curso tradicionalmente masculino está associado as áreas mais antigas e tradicionais da engenharia (civil, mecânica e elétrica). A criação e o estabelecimento de novos ramos na engenharia, diversificou os campos de atuação profissional, aumentando a procura e interesse por essas áreas. Com a engenharia ambiental não foi diferente. Ainda na minha época de graduação já era notória a expressiva presença feminina no curso, e nós mulheres não deixávamos nada a desejar, sempre nos destacáva-mos pela dedicação e bom desempenho acadêmico.

ANEAM - A profissão de Engenheira Ambiental requer muitas vezes trabalho de campo, sendo necessário vistoriar grandes obras. Por ser mulher, você sente alguma dificuldade nessa tarefa?

Tatyane: Parcialmente. Para nós mulheres, as vistorias e saídas de campo requerem um melhor condicionamento físico e postura diferenciada, quando comparado aos homens. Acredito que a maior dificuldade nesse tipo de tarefa está no relacionamento/interação com outros profissionais, sobretudo em grandes obras, na qual a presença feminina é escassa, ainda hoje se observa um “olhar” de surpresa e desconfiança, afinal somos rotuladas como o tal “sexo frágil”!

Também já ouvi relatos de colegas de profissão que passaram por situações de desacato e até mesmo desrespeito, por puro machismo. Isso exige de nós profissionais uma postura mais rígida. Muitas vezes outros profissionais a primeira vista não reconhecem a competência de uma Engenheira, é preciso se esforçar para demonstrar competência, profissionalismo e acima de tudo responsabilidade, diferenciando sempre o profissional do pessoal.

ANEAM - Quais foram às maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho, se existiram?

Tatyane: Em primeiro momento, houve certo preconceito quanto à formação (conhecimento) e atribuições do engenheiro ambiental. Era um curso novo, que não possuía identidade própria. Até então profissionais de diferentes áreas do saber (geógrafos, biólogos, geólogos e engenheiros civis), se especializavam na temática ambiental e desempenhavam funções que, hoje sabemos que competem ao engenheiro ambiental. Tal fato acabou gerando polêmica e discussões sobre certa “concorrência” existente entre as diferentes classes profissionais. E ainda hoje, nos deparamos com esse tipo de situação, visto que as questões ambientais possuem uma temática transversal, exigindo uma equipe de trabalho multidisciplinar, ou seja, tem espaço para todos.

Outro aspecto a ser considerado foi minha idade. Não bastasse ser graduada num novo ramo da engenharia, era jovem (me formei com 23 anos) e sem a tal experiência que alguns processos seletivos exigem. Tinha pouca experiência no mercado, pois atuei boa parte do período da graduação na área acadêmica, como bolsista de um Projeto de Iniciação Científica da Universidade. Ainda assim persisti me recordo de ter saído com várias cópias do meu currículo em busca do tão sonhado e desafiador emprego na minha área de formação, não desisti, tão pouco me envidei por áreas distintas, procurei me aperfeiçoar na minha área de interesse (gestão de resíduos), e com o tempo as oportunidades foram surgindo.

ANEAM - Na sua opinião, o que falta para as engenheiras ambientais hoje?

Tatyane: Acredito haver uma necessidade de fortalecimento da nossa classe, independente de gênero. Deixar claro quem somos e o que fazemos. Que o curso emergiu com o propósito de somar e fazer a diferença,  e não disputar/concorrer com outras áreas do saber.

As dúvidas, expectativas e cobranças quanto ao exercício da nossa profissão são naturais, principalmente nos últimos semestres da graduação, no entanto, tenho observado um cenário atual mais favorável, com boas oportunidades, diferente da minha época de recém formada, ao longo dos 20 anos de existência do curso, muitos colegas tem obtido sucesso e realização profissional, o que contribui para uma divulgação positiva do curso.

ANEAM - Hoje você está sendo homenageada pelo trabalho, esforço e dedicação em prol da profissão de Engenheira Ambiental. Qual recado você gostaria de deixar às futuras Engenheiras Ambientais?

Tatyane: Sigam em frente e não desistam dos seus objetivos! A caminhada é árdua, cheia de descobertas e desafios, nos campos profissional e pessoal, porém, quando se tem foco, responsabilidade e determinação, as conquistas chegam e com ela a satisfação de exercer uma profissão ímpar e tão importante para a sociedade.

Tenham orgulho da nossa profissão! E não se deixem levar por rótulos e opiniões que tendem a denegrir nossa imagem. Afinal, poucos são os profissionais com uma visão diferenciada (holística) de meio ambiente e sustentabilidade.

ANEAM - A ANEAM é uma Associação nova, que tem como foco “Valorizar, fortalecer e integrar a classe dos profissionais de Engenharia Ambiental do Brasil, para a defesa da sociedade”. Como você avalia esta representação?

Tatyane: A criação da ANEAM é de suma importância para a definição da identidade e valorização da classe de Engenheiros Ambientais. Iniciativas como esta são louváveis, pois oferecem suporte aos estudantes e profissionais da área, nas diversas esferas de discussões, com  informações que vão de encontro com as dúvidas e inquietações do nosso dia-a-dia.

Diretoria de Comunicação ANEAM

 

 

 

 

 

Última modificação em Quinta, 08 Março 2012 01:13

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